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Mulheres TAMAKYXA fazem a floresta renascer na Terra Indígena Araribóia

De março a dezembro de 2025, 20 mulheres indígenas do grupo TAMAKYXA coletaram sementes, cuidaram de viveiros e plantaram mudas nativas para recuperar as margens do rio Zutiwa. Veja o que esse trabalho deixou para o território.

Mulheres indígenas TAMAKYXA preparando mudas no viveiro

De março a dezembro de 2025, 20 mulheres indígenas do grupo TAMAKYXA, mães, guerreiras e artesãs da Terra Indígena Araribóia, no Maranhão, dedicaram o ano a uma missão: devolver vida à terra marcada pelo fogo. O trabalho faz parte do Programa WECAN de Reflorestamento e Proteção Florestal, que reconhece as mulheres indígenas como protagonistas da proteção ambiental e da justiça climática.

Uma resposta ao fogo

Em 2015, um dos maiores incêndios da história do Maranhão atingiu mais da metade da floresta da Araribóia. A fumaça cobriu aldeias inteiras, destruiu habitats e afetou os rios. Desde então, as comunidades lutam para recuperar as áreas degradadas. Para as mulheres TAMAKYXA, essa luta é ambiental, mas também cultural e espiritual: é a defesa do direito de existir em equilíbrio com a natureza.

Do viveiro à beira do rio

O trabalho acontece em todas as etapas: a coleta de sementes na mata, o cuidado das mudas nos viveiros e o plantio em campo, principalmente nas margens do rio Zutiwa e perto das nascentes que abastecem as famílias da região. Foram cultivadas dezenas de espécies nativas, como açaí, bacaba, juçara, buriti, buritirana, tamboril, jatobá, mirindiba, sapucaí e ipês amarelo, roxo e branco.

Mulher indígena cuidando de mudas de palmeiras nativas no viveiro
No viveiro, cada muda de palmeira nativa recebe cuidado diário.
  • 20 mulheres indígenas à frente do trabalho;
  • 10 meses de atividades, de março a dezembro de 2025;
  • 116.155 mudas de árvores nativas plantadas no solo, de abril a dezembro;
  • Recuperação de nascentes e margens do rio Zutiwa.
Viveiro com milhares de mudas nativas em sacos pretos, sob tela de sombreamento
Um dos viveiros onde as mulheres TAMAKYXA cultivam as mudas.

Plantar também é cultura

Para o povo Guajajara, a floresta não é um cenário: é um ser vivo com quem se conversa e se aprende. Ao entrar na mata para plantar, as mulheres TAMAKYXA fazem oferendas, cânticos e gestos de agradecimento. As espécies são escolhidas com base no conhecimento tradicional, respeitando o ritmo das chuvas, o solo e as plantas medicinais e sagradas.

“Quando o rio seca, nossa alma também sente sede. Quando o rio volta a correr, é como se o coração da floresta voltasse a bater.”

Mulheres indígenas TAMAKYXA, região de Zutiwa

O que fica para o território

O impacto vai além dos números. Na natureza, o plantio ajuda a proteger as águas, diminuir a erosão e as queimadas e trazer de volta a biodiversidade. Nas aldeias, gera trabalho, renda e autonomia para as mulheres, forma novas lideranças e ensina o cuidado com viveiros, sementes e manejo da floresta. Na cultura, fortalece os saberes tradicionais e a voz das mulheres indígenas nas decisões da comunidade.

Brigadistas do Prevfogo/Ibama, crianças e moradores entre as mudas do viveiro
Brigadistas do Prevfogo/Ibama, crianças e moradores da aldeia no viveiro, em junho de 2025.

Cada uma das 20 mulheres TAMAKYXA é uma semente viva de esperança. Uma frase do relatório do projeto resume esse ano:

“Quando uma mulher planta, a floresta inteira agradece.”

Informações do relatório final de atividades de reflorestamento TAMAKYXA 2025, registrado por Lídia Guajajara e Edivan Guajajara.